avalw news
Bruno CarvalhoBruno CarvalhoVIEW PROFILE →

Drex, o Real Digital do Brasil, muda de rumo e abandona o blockchain a caminho do lançamento em 2026

markets2026-08-20 · 3 min read · 21 reads

O Banco Central prepara o lançamento do Drex, a moeda digital brasileira, para o segundo semestre de 2026. Numa mudança de estratégia, o projeto vai abandonar o blockchain e focar inicialmente em destravar o crédito entre instituições.

O Brasil dá mais um passo importante rumo ao futuro do dinheiro. O Banco Central prepara o lançamento do Drex, a moeda digital brasileira, também conhecida como Real Digital. No entanto, o projeto passou recentemente por uma mudança de rumo significativa, que altera tanto a tecnologia utilizada quanto os objetivos iniciais da iniciativa.

O que é o Drex

O Drex é a moeda digital emitida pelo Banco Central, enquadrando-se na categoria das chamadas moedas digitais de banco central. Ao contrário das criptomoedas privadas, ele possui paridade com o real e opera sob as mesmas regras do sistema financeiro tradicional, estando integrado à infraestrutura bancária do país.

O projeto não é propriamente novo, tendo nascido há alguns anos e passado por uma extensa fase de testes. O programa piloto foi dividido em duas etapas, sendo que a segunda foi concluída no primeiro semestre de 2025. Toda essa experiência acumulada serve agora de base para as próximas decisões sobre o rumo do projeto.

A grande mudança: adeus ao blockchain

Numa mudança estratégica, o Drex vai abandonar o blockchain na sua fase inicial, prevista para 2026. (Imagem ilustrativa)
Numa mudança estratégica, o Drex vai abandonar o blockchain na sua fase inicial, prevista para 2026. (Imagem ilustrativa)

A novidade mais marcante foi anunciada em 14 de agosto de 2025 e representa uma verdadeira virada estratégica. O Drex vai abandonar o uso do blockchain, a tecnologia de registro distribuído que estava no centro do projeto original. O Banco Central chegou a desligar a plataforma de testes baseada na solução Hyperledger Besu.

A decisão foi justificada por dificuldades técnicas concretas. Segundo o coordenador do Drex, Fabio Araujo, o componente blockchain será descontinuado devido a entraves de escalabilidade e de privacidade. O grande desafio, na prática, era conciliar a transparência típica dessa tecnologia com a necessária proteção dos dados dos usuários.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também reforçou essa visão. Ele afirmou que a tecnologia testada não se mostrou viável e defendeu uma abordagem mais flexível. Nas suas palavras, está cada vez mais claro que a tecnologia precisa ser agnóstica, ou seja, não depender de uma única solução específica para funcionar.

Um novo foco: destravar o crédito

Com a mudança tecnológica, também mudaram os objetivos. Na sua primeira fase, prevista para 2026, o Drex não utilizará a tecnologia de registro distribuído e terá um foco bastante específico. O principal objetivo passa a ser a chamada reconciliação de gravames, algo diretamente ligado ao funcionamento do mercado de crédito.

Na prática, isso significa permitir que ativos como ações e títulos sejam utilizados como garantia em operações financeiras. Ao conectar múltiplas instituições financeiras, o sistema busca destravar o crédito entre elas, tornando esse processo mais ágil e seguro. O objetivo deixou de ser a ampla tokenização de ativos e do dinheiro.

Cronograma e participantes

Quanto ao calendário, o lançamento de pelo menos parte do projeto está previsto para o segundo semestre de 2026. Trata-se, contudo, de um início restrito, voltado sobretudo para o uso entre instituições. A expansão para o público em geral, com cidadãos e empresas utilizando o Drex, deverá ocorrer apenas em uma etapa posterior.

O projeto conta com a participação de grandes nomes do setor financeiro. Entre os bancos envolvidos estão o Itaú, o BTG Pactual, o Santander e o Bradesco. Na parte tecnológica, gigantes como Microsoft, AWS e Google também colaboram, o que demonstra a dimensão e a ambição da iniciativa brasileira nesse campo.

O papel da liderança

A condução dessa nova fase está a cargo de uma equipe renovada no comando do Banco Central. Gabriel Galípolo assumiu a presidência da instituição no início de 2025, substituindo Roberto Campos Neto. A coordenação específica do Drex permanece com Fabio Araujo, que tem detalhado publicamente as razões técnicas das mudanças.

Vale destacar que, mesmo com essa reorientação, o mercado não abandona a inovação. A bolsa brasileira B3, por exemplo, anunciou o lançamento de suas próprias moedas estáveis, as chamadas stablecoins, para o primeiro semestre de 2026. Isso mostra que o setor privado continua explorando novas tecnologias de forma independente.

Em resumo, o Drex entra em 2026 com uma identidade renovada. Ao abandonar o blockchain e priorizar o crédito entre instituições, o Banco Central adota uma postura mais pragmática, buscando entregar resultados concretos. O futuro dirá se essa estratégia mais cautelosa abrirá caminho para uma verdadeira revolução no dinheiro digital do país.

Bruno Carvalho
WRITTEN BY THE AUTHOR
Bruno Carvalho
2026-08-20 · 3 min read · 21 reads
View profile →
VERIFY THIS STORY
ASK AI
MORE FROM Bruno Carvalho
Report this articlesupport@avalw.com