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De app de cashback a cofre de Bitcoin: como a Méliuz virou a primeira 'tesouraria de BTC' do Brasil
A Méliuz, dona do app de cashback listado como CASH3, tornou-se a primeira empresa de capital aberto do Brasil a adotar o Bitcoin como reserva de tesouraria. Ao fim do 2º trimestre de 2026 já acumulava 604,7 BTC. Entenda a aposta inspirada na japonesa Metaplanet, os riscos e por que a empresa fez es
Enquanto grandes gigantes globais dominam as manchetes ao acumular Bitcoin em seus cofres, uma história genuinamente brasileira vem se destacando de forma surpreendente no cenário das criptomoedas. Uma conhecida empresa de tecnologia do país, famosa por um serviço que faz parte do dia a dia de milhões de consumidores, decidiu apostar pesado na maior criptomoeda do mundo e reescrever seu próprio destino.
De onde veio a Méliuz
A protagonista desta virada é a Méliuz, uma empresa que muitos brasileiros conhecem bem, ainda que talvez não pelo nome ligado ao Bitcoin. Trata-se de uma companhia de cashback, cujo modelo permite que os consumidores recebam de volta uma fatia do valor gasto ao comprar por meio de seu aplicativo em lojas parceiras, enquanto os varejistas pagam uma comissão pelo serviço.
Listada na bolsa de valores de São Paulo sob o código de negociação CASH3, a empresa era vista até então como mais uma fintech tradicional do mercado nacional. No entanto, uma descoberta interna incômoda sobre o seu próprio valor de mercado acabaria por empurrá-la para um caminho completamente inovador e ousado, e foi justamente essa constatação que mudou tudo.

A virada histórica
O momento decisivo aconteceu em maio de 2025, quando os acionistas da companhia se reuniram para tomar uma decisão que faria história no mercado de capitais brasileiro. Eles aprovaram, com apoio massivo, uma alteração no objeto social da empresa, permitindo que ela pudesse legalmente manter Bitcoin em seu balanço patrimonial como um ativo de reserva de valor.
Com essa simples mas revolucionária mudança nos estatutos, a Méliuz conquistou um título de pioneira que agora carrega com orgulho. Ela se tornou oficialmente a primeira empresa de capital aberto de todo o Brasil a adotar o modelo conhecido como tesouraria de Bitcoin, dando início a uma nova fase que muitos observam com enorme curiosidade e atenção.
O motivo por trás da aposta
Mas o que levaria uma empresa de cashback, lucrativa e sem dívidas, a mergulhar de cabeça em um ativo tão volátil quanto o Bitcoin? A resposta é um tanto paradoxal e reveladora, pois a Méliuz descobriu que o seu valor de mercado estava beirando praticamente o zero, apesar de apresentar contas saudáveis e um caixa robusto em sua operação.
Diante desse cenário frustrante e diante das elevadíssimas taxas de juros que assombram a economia brasileira, o Bitcoin surgiu como uma verdadeira porta de saída. A criptomoeda passou a ser vista pela direção como uma forma inteligente de escapar de uma armadilha na gestão de seu caixa, buscando proteger e potencializar o valor que o mercado tradicional teimava em não reconhecer.
Uma estratégia inspirada no Japão
A Méliuz não está improvisando nessa jornada, mas sim seguindo um roteiro cuidadosamente estudado e inspirado em casos de sucesso internacionais. A companhia adota uma estratégia claramente influenciada pela empresa japonesa Metaplanet, que se notabilizou por transformar suas reservas em Bitcoin de maneira agressiva e ao mesmo tempo metódica no mercado asiático.
Na prática, essa abordagem envolve o uso inteligente de derivativos financeiros com o objetivo de gerar rendimento adicional sobre os ativos que a empresa possui. Ao mesmo tempo, a segurança não é deixada de lado, já que a Méliuz mantém a maior parte de suas moedas, cerca de oitenta por cento de todo o seu Bitcoin, guardada em ambiente offline conhecido como armazenamento a frio.
Os números e os riscos
Os resultados dessa política já aparecem de forma concreta nos balanços mais recentes divulgados pela companhia ao mercado. Ao final do segundo trimestre de 2026, a Méliuz informou que já detinha um total de 604,7 unidades de Bitcoin, adquiridas por um montante que gira em torno de oitenta e um milhões e seiscentos mil dólares ao longo de suas compras sucessivas.
É fundamental, no entanto, deixar claro que essa aposta ousada não é isenta de riscos significativos para os investidores da empresa. A forte volatilidade natural do Bitcoin já provocou perdas contábeis em determinados períodos, e mesmo com esse cenário desafiador, gigantes do mercado financeiro como o banco BTG Pactual demonstraram confiança ao ampliar sua participação acionária na companhia.
Ambições que cruzam fronteiras
Longe de se acomodar com o pioneirismo já conquistado dentro das fronteiras nacionais, a Méliuz mira agora voos ainda mais altos e distantes. A empresa já se prepara ativamente para entrar no exigente mercado americano, buscando expandir o alcance de sua estratégia de Bitcoin e se posicionar ao lado das grandes tesourarias de criptomoedas do mundo.
Assim, a trajetória da Méliuz se transforma em um símbolo fascinante de como uma empresa tradicional pode se reinventar por completo na era digital. Resta agora ao mercado e aos entusiastas do setor acompanhar de perto se essa aposta corajosa se consolidará como um golpe de mestre visionário ou como um experimento arriscado, num capítulo que ainda está longe de ser concluído.






